Walter Benjamin afirma que a fotografia inaugurou no século XIX não apenas uma forma de retratar a realidade, mas também uma forma de construi-la.  Curiosamente, ao discutir a trajetória dessa tecnologia de fazer ver, Benjamin faz uma distinção entre a fotografia como arte e a arte como fotografia.

A primeira tem a ver com a “arte do retrato”, que rivalizou em seus primórdios com a pintura e persiste até hoje sob diversos modos de representação. Já a “arte como fotografia” trata a fotografia como expressão artística que não  se vincula necessariamente a um projeto mimético. Busca antes verificar em que medida a fotografia pode servir como  linguagem para a criação.

Como expressão artística, a fotografia lança-se então numa nova empreitada. Sua experiência passa a ser sinônimo de aventura. Não se trata apenas de exercer um fascínio, mas sim, como definiu Barthes, “de produzir um frêmito, uma agitação interior, uma animação, uma festa, um trabalho também, a pressão do indizível que quer se dizer”.

Epifanias visuais é um convite a essa experimentação e à produção de um deslocamento. Interpelação do olhar através de uma poética dos objetos e das situações cotidianas. Aliança com acasos e intensidades no espaço das cidades.

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